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domingo, 3 de janeiro de 2016

A incrível história de Ruby Bridges, uma garotinha ícone da luta pelos direitos civis nos EUA.

Ruby nasceu em 8 de setembro de 1954, em Tylertown, Mississippi. Cresceu na fazenda de seus avós com os pais e três irmãs e um irmão. Quando ela tinha 4 anos de idade, seus pais, Abon e Lucille Bridges, mudou-se para Nova Orleans, na esperança de uma vida melhor em uma cidade maior. Seu pai conseguiu um emprego como atendente de posto de gasolina e sua mãe conseguiu um emprego à noite.


Em 1960, a Suprema Corte americana ordenou que todas as escolas públicas do país cessassem a segregação racial e passassem a integrar alunos negros em suas salas de aula. Neste contexto, a família da garota Ruby Bridges (que já estava com 6 anos) decidiu matriculá-la em um colégio “All White” de Nova Orleans, chamado William Frantz. Seu pai era relutante, mas a mãe disse que a mudança era necessária não apenas por uma melhor educação para sua filha, mas também para “dar um passo a frente à todas as crianças afro-americanas”.
Pintura criada pelo artista norte-americano Norman Rockwell
Temendo algum tipo de represália, seus pais pediram escolta da polícia local, para que Ruby pudesse ir à escola em segurança. Mas, para surpresa (nem tanto) da família, a polícia da cidade -recusou o pedido, e disse que não ajudaria na segurança da garota.- Com isso, a presença dos oficiais federais foi solicitada e, assim, a menina pôde caminhar de sua casa até à escola (é esta a cena que a pintura de Normam faz referência. Chegando no colégio, uma multidão de pais enfurecidos protestavam contra a presença da negra no colégio. Insultavam e, até mesmo, ameaçavam a integridade física da família Bridges. Nesse primeiro dia, Ruby junto com os policiais federais passaram o dia inteiro no escritório  principal; o caos da escola impediu a sua mudança para a sala de aula até o segundo dia.
Imagem do filme "A história de Ruby Bridges", 1988
Quando perceberam que a inclusão da garota no colégio era inevitável, os pais dos alunos brancos resolveram entrar no colégio e retirar seus filhos do local; os professores também se recusaram a ensinar a garota. Barbara Henry, uma jovem docente, foi a única que se mostrou disposta a ser professora de Ruby e, com isso, a criança resolveu continuar no colégio, mesmo com tantas manifestações contra.

Dias depois, o Dr. Robert Coles, psiquiatra e professor da escola de medicina de Harvard, estava fazendo pesquisas sobre o estresse e decidiu analisar o caso de Ruby Brigdes. Ele viajou até Nova Orleans para entrevistar a garota, seus familiares e seus professores. Para surpresa do Dr. Coles, ele não encontrou nenhum sinal de estresse nos membros daquela família. Em conversa com o médico, o professor de Ruby mencionou que aquela garotinha de seis anos parecia falar com a multidão, todas as manhãs, quando ia para a escola, e todas as tardes, quando voltava para casa. O Dr. Coles perguntou a Ruby o que ela dizia. Ela declarou que orava por todos. O psiquiatra descobriu que Ruby e seus familiares oravam juntos todas as noites em favor dos manifestantes. O pastor da igreja que freqüentavam disse que, quando Jesus sofreu, orou dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Portanto Ruby fazia essa prece todos os dias, rogando por aqueles que gritavam com ela.

Durante todo o ano letivo, Ruby era ensinada em uma classe que só tinha ela como aluna. Nos primeiros dias conviveu com ameaças de morte, inclusive por funcionárias do colégio, que ameaçavam envenenar sua comida. Os agentes federais decidiram que a garota só poderia consumir alimentos trazidos de casa pela própria aluna. Outra funcionária colocou uma boneca negra em um caixão de madeira e protestou com ela fora da escola.

A família de Bridges sofreu com todo este processo: seu pai perdeu o emprego, e seus avós (que eram meeiros no Mississippi) foram desligados de suas terras.

"- Éramos pobres, muito pobres ―recorda Ruby. ― O meu pai trabalhava nas colheitas. Havia alturas em que tínhamos muito pouco para comer. Quando os donos das terras começaram a usar máquinas para facilitar as colheitas, o meu pai ficou sem emprego e tivemos de mudar de terra. Penso que tinha quatro anos quando partimos." - [texto tirado do livro de Ruby - Through My Eyed.]

O acontecimento, porém, possui alguns bons exemplos. A comunidade negra, com alguns poucos integrantes brancos opostos ao racismo, tentaram ajudar. Um vizinho conseguiu outro emprego para seu pai. Além disso, algumas famílias brancas continuaram a enviar seus filhos ao colégio.

Ruby com o presidente Barack Obama na Casa Branca, durante a exibição do quadro de Norman Rockwell
A pintura: Criada pelo artista norte-americano Norman Rockwell, é denominada “The Problem We All Live With” (O problema com que todos nós vivemos). Ela retrata um episódio emblemático, ocorrido nos EUA em 1960 e protagonizado pela menina Ruby Bridges, na época com apenas 6 anos de idade.

Esse quadro atualmente está na Casa Branca e é motivo de orgulho para o presidente Barack Obama que sempre menciona a história de Ruby como inspiração pessoal.

Em 1998, foi lançado em Hollywood o filme “A História de Ruby Bridges” que, mesmo de uma maneira mais dramatizada, retrata de maneira bem satisfatória o episódio de 1960.

Em 15 de julho de 2011, Ruby reuniu-se com o presidente Barack Obama na Casa Branca, e durante a exibição do quadro de Norman Rockwell, ele lhe disse: "Eu acho que é justo dizer que, se não fosse por vocês, Eu poderia não estar aqui e nós não estaríamos olhando para isso juntos ".

Ruby Bridges hoje é considerada ícone do movimento pelos direitos civis. E é no livro “Through My Eyes” onde é contada a sua história. A foto em que ela desce as escadas com os policiais é considerada uma das mais importantes do século XX.

"A nossa filha Ruby deu-nos uma grande lição, ao tornar-se alguém que ajudou a mudar o nosso país. Tornou-se parte da nossa história, tal como acontece com os generais e os presidentes. À semelhança deles, também Ruby foi uma líder, porque conduziu negros e brancos a um maior entendimento", conta Lucille em Through My Eyed.

Em 8 de janeiro de 2001, Ruby Bridges recebeu o Medalha Presidencial Citizens pelo presidente Bill Clinton .

Em outubro de 2006, o Distrito Escolar Unificado Alameda dedicou uma nova escola primária com o nome de Ruby Bridges, e emitiu uma proclamação em sua honra.

Em novembro de 2006 ela foi homenageada em concerto da Anti-Defamation League Against Hate.

Em 2007, o Museu Infantil de Indianápolis revelou uma nova exposição que documenta a sua vida, junto com a vida de Anne Frank e Ryan White .

Em 2011, ela visitou Episcopal School  San Paul, uma escola , em Oakland, Califórnia. Sua visita coincidiu com a inauguração do monumento humanitário "Lembre-se deles", feita  por Mario Chiodo, que inclui uma escultura da menina Ruby Bridges.

Em 19 de maio de 2012, Ruby recebeu um doutoramento honoris causa da Universidade de Tulane, na cerimônia anual de formatura no Superdome.

A menina Ruby Bridges, agora  Sra. Ruby Bridges Hall (61 anos), ainda vive em New Orleans com seu marido, Malcolm Hall, e seus quatro filhos. Ela agora é presidente da Fundação Bridges Ruby, que abriu em 1999, para promover "os valores da tolerância, do respeito e valorização de todas as diferenças". Descrevendo a missão do grupo, ela diz, "o racismo é uma doença de adulto, e temos de parar de usar nossos filhos para espalhá-lo".

Também existe uma canção feita por Lori McKenna - "Os sapatos de Ruby."


Edição: História Com Fotos
Referencias: Wikipédia e site oficial de Ruby Bridges
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Davi Holanda

Editor

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