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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Nascida no dia 13 de fevereiro de 1925, no município de Sapé, Paraíba, Elizabeth Teixeira constrói sua trajetória em meio a lutas por justiça, terra e liberdade

Imagem: adufpb.org
Ela abriu mão do conforto para viver o amor ao lado de um trabalhador pobre e analfabeto. Com ele, formou família. E ajudou a construir a história do movimento sindical agrário no Brasil. A paraibana Elizabeth Teixeira é a face feminina das lutas camponesas da metade do século passado. Junto ao marido, João Pedro Teixeira, fundou, no município de Sapé (PB), o maior sindicato de trabalhadores agrários do país até então. E assumiu a liderança do movimento depois do assassinato dele, em 1962.

A história de Elizabeth e seu marido, João Pedro Teixeira, acontece em meio a um quadro de fome, opressão, exploração e repressão da força de trabalho no campo. Nem a violência privada do latifúndio, nem a oficial exercida pelo aparato estatal, no entanto, conseguiram sufocar os ideais da luta camponesa

Seu pai era fazendeiro, proprietário e comerciante. Ela frequentou a escola, mas não terminou o primário. Aprendeu a ler, escrever e dominar as quatro operações de matemática. Foi proibida de continuar os estudos, saindo da escola para trabalhar na mercearia do pai. Foi neste estabelecimento comercial que ela conheceu João Pedro Teixeira.

João Pedro Teixeira, trabalhador alugado, é o encarregado do transporte dos mantimentos. Os dois se conhecem, se gostam, se apaixonam, até que chega o momento do pedido de casamento. A família de Elizabeth não aceitava o relacionamento pois João era negro, operário e pobre. Aos 16 anos, ela fugiu de casa para viver com ele.

Elizabeth relembra: “Papai dizia assim: ‘A minha filha mais velha, casar com um homem pobre, trabalhador de pedreira alugado… não. A minha filha tem que casar com um homem que tenha condições de vida. Não casar com um pobre, e, além disso, preto. A minha filha mais velha casar com um homem preto? Negro e pobre? Não minha filha, você tem que casar com um rapaz que tenha condições, que tenha carro, que tenha terra, que tenha comércio, que tenha vida. Não com um pobre. ’ Não aceitou não, de jeito nenhum papai aceitou. Aí eu fugi.”.

Quando estava grávida de seu segundo filho, Abrahão Teixeira, Elizabeth foi morar em Recife/PE. João Pedro participava da luta da classe trabalhadora e ajudou na fundação do Sindicato dos Trabalhadores da Construção, em Recife. Por conta da luta, os empresários não davam emprego a João Pedro. Com a família passando fome, tiveram que voltar para a Paraíba.

Elizabeth viveu por muito tempo sozinha, pois João era frequentemente ameaçado e perseguido pelos latifundiários. Ele fugiu para Recife e para o Rio de Janeiro, onde fico escondido por oito meses. Nesse período, ela recebeu solidariedade dos companheiros de luta, que a ajudavam, não deixando faltar nada à família durante a ausência do marido.

Em 1962, João foi brutalmente assassinado em uma emboscada preparada por pistoleiros. Foram três tiros, pelas costas.

Depois da morte do marido, Elizabeth reuniu os militantes da Liga em uma grande Assembleia, com mais de dois mil camponeses e camponesas. Ela assumiu a liderança das Ligas e a partir daí sofreu diversos atentados de morte.

"Um dia após o golpe tentaram incendiar minha casa, mas não me encontraram, porque estava em Galiléia, cidade de Vitória, a 58 km de Recife. Quando soube do fato, fugi para dentro das matas e no dia seguinte, conseguimos chegar até Recife. Depois, cheguei a João Pessoa, procurei notícias dos meus filhos e acabei sendo presa. Passei três meses e 24 dias na prisão, no Agrupamento de Engenharia", diz ela em entrevista ao CPT Nacional.

Com o golpe militar de 1964, teve que passar para a clandestinidade, adotando o nome de Marta Maria Costa e fugindo para São Rafael (Rio Grande do Norte), com o filho Carlos, onde viveu por 16 anos.

Na vida clandestina, Elizabeth trabalhou lavando roupas, ficou doente por conta da água poluída do rio, passou fome. Sem poder trabalhar, viveu de pequenas ajudas. Um dia, ao ver que as crianças da cidade de São Rafael viviam pelas ruas, sem escola, sem ensino nenhum, ela começou a dar aula em troca de alimentação.

Em 1981, aconteceu o encontro entre ela e o cineasta Eduardo Coutinho, que a encontrou com a ajuda de seu filho, Abrahão (que na ocasião já trabalhava como jornalista em Patos/PB).

Ela abandonou a vida clandestina, assumiu seu verdadeiro nome e voltou para João Pessoa onde vive até os dias atuais. Ao retornar, seu objetivo era encontrar seus outros filhos (ela teve 11) que estavam espalhados entre Paraíba, Recife, Rio de Janeiro e Cuba. Além desses, uma de suas filhas suicidou-se, na ocasião de sua prisão. Outros dois foram assassinados.

A casa onde viveu com João Pedro, em Sapé, foi tombada e destinada a abrigar o Memorial das Ligas Camponesas, em 2011.

"Cabra marcado para morrer" é um filme documentário sobre a vida de João Pedro Teixeira, dirigido por Eduardo Coutinho.

Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 1964. Parte da equipe foi presa sob a alegação de "comunismo".

O trabalho foi retomado 17 anos depois, com depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens e também de Elizabeth Altino Teixeira.

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A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) outorgou em 15 de setembro do ano passado, durante uma sessão especial, a “Comenda Margarida Maria Alves” para a líder camponesa Elizabeth Teixeira, que, aos 90 anos (hoje com 91), continua sendo um dos principais símbolos da luta pela terra, não apenas na Paraíba, mas em todo o Brasil.

“Foi muito sofrimento e muita luta pela terra mas hoje estou aqui recebendo está homenagem e só tenho a agradecer por tantas pessoas lembrarem da minha pessoa e de toda munha trajetória de luta pela Reforma Agrária em nosso país”, agradeceu a homenageada, Elizabeth Teixeira.

Fontes: cptnacional - agemt - palarmentopb
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Davi Holanda

Editor

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